Cien sonetos de amor, como outros de
seus livros publicados entre 1958 e 1964 é, no dizer de Emir Rodriguez Monegal,
o livro das folhas outonais de Pablo
Neruda. Um livro que se inscreve nesse momento da vida do poeta em que se
revelam as experiências mais complexas e profundas que ele irá aprisionar nas
leis do soneto. Não mais aquele soneto clássico, feito para cantar com
perfeição a mulher amada mas outro, pleno, também, do poético encontrado no
mais chão do cotidiano. Porque Pablo Neruda se apropriando das coisas e dos
seres, na sua avidez de existir e no seu poder de forjar maravilhas lhes dá
vida com as palavras. Sejam elas oriundas do mais simples e real prosaico,
sejam possuidoras da força de sugestão exigida para a elaboração do poético. Fiel
a si mesmo, nos Cien sonetos de amor
em que a presença da mulher amada se faz de enumerações, de comparações, de
metáforas, de confissões, de lembranças, do vislumbrar do futuro, a sua emoção
se ampara, ainda uma vez, dos elementos da terra: e âmbar, areia, turquesas,
ágata, esmeraldas, metais e cereais e flores e frutos. Referências à acácia,
amapola, amaranto, cravo, gardênia, jasmim, madressilva, magnólia, nenúfar,
rosa e violeta se espalham pelos sonetos, assim como aquelas a uns poucos
frutos: ameixa, amêndoa, laranja, limão, maçã, melancia, pêssego, uva.Divisão dos Arquivos
O Blog Pablo Neruda Brasil está apresentado em quatro seções obedecendo à data de publicação da matéria:
Arquivo Cecilia Zokner
Os breves textos sobre a poesia de Pablo Neruda foram publicados sob a rubrica Literatura do Continente no jornal O Estado do Paraná, Curitiba e fazem parte, juntamente com outros textos versando sobre Literatura Latino-americana, do Blog http:\\www.literaturadocontinente.blogspot.com.br. Os demais, em outras publicações.
Arquivo Adriana
Chilena de Concepción, amiga desde 1964, quando convivemos em Bordeaux, ao longo dos anos me enviou livros e recortes de jornal sobre Pablo Neruda. Talvez tais recortes sejam hoje, apenas curiosos. Talvez esclareçam algo sobre o Poeta ou abram caminhos para estudos sobre a sua obra o que poderá, eventualmente, se constituir uma razão para divulgá-los.
Arquivo Delson Biondo
Doutor em Literatura na Universidade Federal do Paraná. No ano do centenário de nascimento de Pablo Neruda, convidei Delson Biondo, meu ex-aluno do curso de Letras para trabalharmos sobre “Las vidas del Poeta, as memórias de Pablo Neruda”, constituídas de dez capítulos, publicados, em espanhol, na revista O Cruzeiro Internacional, no ano de 1962. Iniciamos o nosso trabalho com a sua tradução, visando divulgar, no Brasil, esse texto do Poeta que somente anos mais tarde iria fazer parte de seu livro de memórias Confieso que he vivido. Todavia, várias razões impediram que a tradução fosse publicada no Brasil, mas continuamos a trabalhar sobre “Las vidas de Poeta” no que se referia aos aspectos formais comparativamente a esses mesmos textos que passaram a fazer parte de Confieso que he vivido. Além desse estudo comparativo, pretendíamos nos aproximar, minuciosamente de cada um dos capítulos de “Las vidas del Poeta”. A comparação foi realizada e o estudo do primeiro capítulo concluído. Estávamos já, terminando a redação do estudo do segundo capítulo quando Delson Biondo veio a falecer em maio de 2014. Assim, as notas comparativas dos textos nerudianos e o estudo do segundo capítulo de “Las vidas del Poeta” não foram concluídos. Penso que a eles nada devo acrescentar.
Arquivo Aberto
Arquivo Aberto à recepção de trabalhos escritos em português ou espanhol que tratem da obra de Pablo Neruda, obedeçam às normas da ABNT e sejam acompanhados de um breve curriculum do autor. Os trabalhos poderão ser enviados para publicação neste Blog pelo e-mail pablonerudabrasil@gmail.com.
24 de setembro de 1994
As flores e os frutos
Cien sonetos de amor, como outros de
seus livros publicados entre 1958 e 1964 é, no dizer de Emir Rodriguez Monegal,
o livro das folhas outonais de Pablo
Neruda. Um livro que se inscreve nesse momento da vida do poeta em que se
revelam as experiências mais complexas e profundas que ele irá aprisionar nas
leis do soneto. Não mais aquele soneto clássico, feito para cantar com
perfeição a mulher amada mas outro, pleno, também, do poético encontrado no
mais chão do cotidiano. Porque Pablo Neruda se apropriando das coisas e dos
seres, na sua avidez de existir e no seu poder de forjar maravilhas lhes dá
vida com as palavras. Sejam elas oriundas do mais simples e real prosaico,
sejam possuidoras da força de sugestão exigida para a elaboração do poético. Fiel
a si mesmo, nos Cien sonetos de amor
em que a presença da mulher amada se faz de enumerações, de comparações, de
metáforas, de confissões, de lembranças, do vislumbrar do futuro, a sua emoção
se ampara, ainda uma vez, dos elementos da terra: e âmbar, areia, turquesas,
ágata, esmeraldas, metais e cereais e flores e frutos. Referências à acácia,
amapola, amaranto, cravo, gardênia, jasmim, madressilva, magnólia, nenúfar,
rosa e violeta se espalham pelos sonetos, assim como aquelas a uns poucos
frutos: ameixa, amêndoa, laranja, limão, maçã, melancia, pêssego, uva.
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